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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Montijo - Cidade de Portas Abertas 01

 A minha primeira escola...








===========   Casa Mora   ==============



 Construída na segunda metade do século XIX para residência particular de Domingos Tavares e de Margarida Inácia dos Anjos, grandes proprietários rurais do Concelho de Aldeia Galega, a casa foi concluída por volta de 1875. 


De gosto eclético, seguindo a moda oitocentista, apresenta uma fachada requintada, no desenho das molduras dos vãos, da guarda de ferro do piso nobre ou dos modilhões que sustentam a varanda, e nos materiais utilizados, não faltando, no telhado, um curioso lanternim decorado com vidros coloridos e duas platibandas constituídas por elementos cerâmicos, a da fachada da frente pontuada por quatro estatuetas hoje desaparecidas. O interior da casa recebeu igual cuidado no refinamento das artes decorativas, destacando-se magníficos estuques, frescos e escaiolas.

Adquirida na década de 80 do século XX pela Autarquia, com vista a albergar a Biblioteca Municipal Manuel Giraldes da Silva, a casa Mora tornou-se, em 1993 sede do Museu Municipal. O edifício é popularmente conhecido por Casa Mora em razão do casamento da filha dos proprietários, Maria Antónia Tavares, com o médico Manuel Justiniano Mora.

 === Quinta do Saldanha e Ermida do Senhor Jesus dos Aflitos ===

Conjunto edificado no século XVI, com posteriores reconstruções. Instituído no século XVI por Duarte da Gama, o morgadio era constituído por diversas construções destinadas ao uso agrícola, pela casa principal de dois pisos, por um oratório, jardins, horta, vinhas e pomar, salinas e um moinho de maré de quatro mós.

Com o terramoto de 1755 todo o conjunto se arruinou, tendo sido alvo de uma profunda reconstrução, dando ao solar e à ermida as características hoje observáveis.
Na capela-mor observa-se um retábulo de madeira polícroma que apresenta um Cristo crucificado em marfim, de modelo agonizante, possivelmente do século XVII, constituindo um exemplar notabilíssimo de trabalho indo-português. Do tesouro da ermida faz ainda parte uma imagem de Nossa Senhora da Piedade, de grande qualidade de execução, datável do século XVII.
Embora a sua primeira invocação tenha sido a Nossa Senhora das Dores, conforme se pode constatar pelo medalhão existente sobre o portal principal, a actual invocação reflecte a enorme devoção popular à imagem do Salvador Crucificado sob a denominação do Senhor Jesus dos Aflitos.
Destaca-se o portal de entrada da Quinta, possivelmente uma composição oitocentista, pela centralidade das armas dos Gama aí colocadas. O brasão do século XVI, em pedra lioz, colocado “au balon”, envolto numa cartela com motivos vegetalistas, ostenta correcto ordenamento heráldico e assinalável qualidade plástica no trabalho escultórico.
O apelido Saldanha, que tomou o nome da Quinta, resultou da união, por casamento, com a família Gama.


========   Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos   ======

A primeira notícia à lide dos touros, em Aldeia Galega, data do século XVI. Desde então, os touros não deixaram de fazer parte da vida social, política e económica da localidade. 
A primeira arena documentada, nos terrenos da Quinta do Pátio de Água, só surge no início do século XIX. Desactivada em 1852, dez anos mais tarde foi levantada uma nova Praça junto à casa dos Frades da Graça, também demolida para dar lugar a outra inaugurada em 1888, com capacidade para 3000 espectadores. Esta praça foi apeada em 1950 por não ter já condições de segurança.
Em 1 de Setembro de 1957 surgiu a actual Praça de Touros com projecto do arquitecto Amadeu José Gomes dos Santos, desde 1983 Praça Amadeu Augusto dos Santos (1887-1962), o maior mentor da sua construção. O novo edifício, com capacidade para 6500 espectadores, foi erguido em 126 dias úteis, entre 1 de Abril, data do início da construção, e Agosto de 1957; importou em 2.200.000$00.
Ao fim de 50 anos ao serviço da tauromaquia montijense e tendo atravessado bons e maus momentos, a Praça de Touros Amadeu Augusto dos Santos continua a ser, pela qualidade da “Festa” que promove, um marco da tauromaquia nacional e internacional. 


   ======   Parque Municipal Carlos Hidalgo Gomes Loureiro ====


Tradicionalmente implantados na malha urbana, os parques e os jardins públicos assumiram-se, desde o século XIX, como importantes equipamentos de lazer e sociabilização. Inúmeras localidades dotaram-se de um Passeio Público, seguindo a moda da capital.

Criado por decisão da Autarquia, em 21 de Agosto de 1929, as obras de construção do Parque Municipal, então ao estilo tradicional português, arrastaram-se por vários anos, passando do afã construtivo inicial ao estado de abandono que tinha em 1949. Em 1952, o Executivo liderado por José da Silva Leite, considerando o Parque de extrema importância para o bem-estar da população, propôs a remodelação integral do espaço.
O projecto foi entregue ao consagrado arquitecto paisagista Francisco Caldeira Cabral (1909-1992), formado em Berlim, pioneiro do ensino da arquitectura paisagista em Portugal e autor de inúmeros projectos, em Portugal e no estrangeiro. Em 10 de Janeiro de 1956 Caldeira Cabral apresentou o projecto que, após rectificações, foi aprovado em 1959. Implantado numa área de cerca de 3,5 ha, o Parque formou um rectângulo de 270 m x 120 m onde foram plantadas árvores da flora nacional: carvalhos, sobreiros, ulmeiros, amieiros, choupos, freixos, olaias e tílias. Hoje mantém-se um aprazível espaço verde, com amplas áreas de relvado, área desportiva, bar e recantos mais intimistas.
Recebeu o nome do seu maior impulsionador, Carlos Hidalgo Gomes de Loureiro, líder do executivo camarário da década de 30 do século XX.

Acesso público sem restrições


  ============    Palácio da Justiça    ======

Inaugurado em 1959, é da autoria do arquitecto Raul Rodrigues Lima e foi construído com mão-de-obra prisional.

Trata-se de um extenso edifício, majestático e austero, claramente filiado na estética do Estado Novo. No exterior foi enriquecido com relevos de Euclides Vaz, alusivos a temáticas do Direito: O Direito Natural e a Lei e A Doutrina e a Jurisprudência. No interior, na sala de audiências, recebeu um fresco de Martins Barata, representando D. João, Duque de Bragança, em Aldeia Galega, antes do embarque para Lisboa, onde viria a ser aclamado Rei - D. João IV

  ====      Paços do Concelho    ====

Antigo tribunal, cartório notarial, conservatória do registo civil e predial, repartição de finanças e cadeia, dispunha de 20 celas, 10 no r/c e 10 no 1º andar.

Possuía um pátio para utilização dos presos. Na segunda metade do século XX acolheu a Escola Comercial e Industrial.O edifício foi readaptado e em 1967 nele se instalaram os Paços do Concelho. Desta altura é o revestimento azulejar interior do edifício, bem como a composição armoriada com motivos vegetalistas que se encontra ao cimo da escadaria. O Salão Nobre era o gabinete do juiz.


  =====Moinho de Vento do Esteval=====


Construído em 1826 conforme se pode constatar pela data existente no seu interior, estava integrado numa vasta propriedade agrícola denominada Quinta do Moinho Velho.

Deixou de funcionar no princípio do século XX após 75 anos de laboração, tendo sido restaurado pela Autarquia no ano 2000 com vista a torná-lo num espaço museológico.
Construção robusta, é constituído interiormente por três pisos: o térreo que guarda o cereal para moer, o intermédio onde se aloja parte do engenho, utilizado também como habitação do moleiro e o último piso, onde se encontra um par de mós bem como o mecanismo necessário ao bom funcionamento.
Sob a porta de entrada, orientada para Sudeste, na posição oposta à direcção dos ventos predominantes, podemos observar um registo de azulejos dedicado a Nossa Senhora de Atalaia, curiosamente direccionado para o Santuário da mesma invocação que tem grandes tradições religiosas nesta zona.

  =====Moinho de Maré do Cais====



Ainda que a primeira referência documentada do moinho do Cais de Aldeia Galega/Montijo seja de 1646, a existência de uma cruz da Ordem de Santiago, hoje visível no lintel da porta de entrada, atesta a sua existência anterior.

Até finais do séc. XIX o moinho do Cais manteve-se na posse da mesma família, sucedendo-se outros proprietários durante o séc. XX. Tornou-se propriedade municipal em 1995, tendo a Autarquia assumido a preservação – recentemente concretizada - deste ícone da História Local que sintetiza uma relação intensa, de vários séculos, entre a actividade agrícola e o rio.
É ao fluxo e refluxo das águas do Tejo que o moinho vai buscar a sua fonte de energia. Associados a este recurso natural, existem, como é visível no moinho do Cais, o edifício e a caldeira; no primeiro estão localizados os engenhos, na segunda é armazenada a água necessária para activar o mecanismo de moagem.
Novas tecnologias vieram substituir progressivamente o processo tradicional de transformação dos cereais, tendo originado o gradual abandono do moinho. No início dos anos 80 o imóvel encontrava-se em elevado estado de degradação.

   =======Mercado Municipal======


A existência deste equipamento, aliada à sua dimensão, atestava o nível de desenvolvimento da localidade, aferido pela variedade de produtos produzidos e aqui vendidos, assim como pela clientela que assegurava o movimento diário.

De outros antecessores do actual Mercado do Montijo há notícia. No entanto, necessidades de modernização levaram à construção do actual, inaugurado em 1957. A sua torre do relógio rapidamente se tornou uma referência na imagem urbana. Com desenho do arquitecto Paulo Cunha e cálculos do engenheiro Santos Silva, o Mercado Municipal é hoje um edifício que integra o elenco de exemplares de arquitectura de qualidade da Cidade.

   ==Igreja do Senhor Jesus da  Misericórdia==


De estrutura chã muito simples e obedecendo a um plano construtivo modesto, a sua edificação foi autorizada por carta régia de D. Sebastião, em 1571.

O portal principal, de gosto maneirista, é rematado por um frontão triangular. No interior, a igreja apresenta nave única com abóbada rebaixada, púlpito em pedra da Arrábida, revestimento azulejar do século XVII, de padronagem tipo tapete, em tons de azul e amarelo, de grande impacto decorativo e sepultura quinhentista do primeiro provedor da Santa Casa, Nuno Álvares Pereira. Do conjunto azulejar, destacamos um pequeno registo (com montagem trocada) alusivo à Eucaristia, representando uma custódia sustentada por anjos entre nuvens, com a legenda: LOVVADO SEIJA O SANTISIMO SACRAMENTO NA ERA DE 1677.
Durante as obras de restauro ocorridas no último quartel do século XX foi descoberto no interior do nicho da tribuna do altar-mor um dos antigos painéis do retábulo maneirista que retrata o tema mariano da Visitação, da autoria de Tomás Luís.
A imagem, hoje no nicho do altar-mor, representando Cristo crucificado, foi alvo de grande devoção na sequência do terramoto de 1 de Novembro de 1755; a invasão das águas do Tejo, causada pelo maremoto decorrente daquele, levou a população a sair em procissão com a imagem de Cristo, tendo a cheia começado a diminuir até o rio atingir o seu curso regular.
Na capela-mor encontra-se ao centro do supedâneo do altar a sepultura quinhentista do primeiro provedor da Misericórdia, Nuno Álvares Pereira.


===Igreja do Divino Espírito Santo===

Com origens anteriores ao século XVI, a Igreja Matriz apresenta um somatório de intervenções, realizadas ao longo dos séculos, que atestam o gosto artístico vigente, desde o manuelino, passando pela renascença e pelo maneirismo, até ao barroco setecentista.

Originalmente de nave única, com linhas sóbrias, destacava-se um campanário e alpendre construído sob pilares com peitoril de pedra que ia da porta principal ao alçado lateral sul. Entre 1528 e 1534 sofreu obras de remodelação, sendo dessa altura a construção da abóbada da capela-mor em alvenaria, de características manuelinas, cujas chaves de pedraria ostentam ao centro, um vaso florido e nos bocetes secundários motivos vegetalistas. Desta época será também a belíssima escada manuelina que se esconde no interior da torre do relógio permitindo o acesso ao coro alto.
No século XVII foi profundamente remodelada. Edificou-se a segunda torre, rasgaram-se as portas laterais, construiu-se o guarda-vento e a arcaria interna, dividindo a nave inicial em três, cobertas com abóbadas de berço. Nesta altura foi azulejada com um revestimento de tipo tapete, de que chegou aos nossos dias o conjunto existente na abóbada do guarda-vento, apresentando ao centro um registo com a imagem de Nossa Senhora do Rosário. Nova campanha de obras, desta vez no século XVIII, revestiu-a de um belo conjunto azulejar que se desdobra em duas grandes temáticas iconográficas – a vida da Virgem, a intervenção do Espírito Santo e as prefigurações eucarísticas.
Exteriormente a igreja tem a fachada principal demarcada por duas torres sineiras, com cunhais de cantaria, rematadas por abóbadas facetadas com fogaréus nos acrotérios. O portal principal, de estrutura quadrangular, ladeado por duas colunas coríntias, é sobrepujado por um frontão triangular com três pináculos piramidais, anunciando um janelão gradeado que ilumina o coro. No topo da fachada encontra-se uma lápide com a inscrição: Concelho 1604.



1 comentário:

Cleiber disse...

As construções históricas de Montijo e suas origens são deslumbrantes!!! vale a pena ler..
Fiquei encantada.
beijos