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domingo, 4 de dezembro de 2011

Poema da Minha Tristeza...


Poema da Minha Tristeza...
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No peito, meu coração bate forte 
Não sossega, sobresaltado desfalece
Bate sem control, o pensamento não pára
Tanta razão tem p’ra que tal aconteça

Distante de mim, longe, e o tempo passa
Esse tempo que avança e nunca sessa
Esse tempo que me foge debaixo dos pés
Esse tempo é angústia, alguém assim o elegeu

Nada acontece, nada, nem ao menos tu
Tu que tanto prometes, sem nada acontecer
Tu que iludes à distância com belas palavras
Palavras que os ventos dos tempos vão levando

Os ventos levam as fragmentadas frases
Não tiveram ancora que as prendesse
Foram ditas e deixadas ao abandono
Descuidadas, essas, a alma entristecem

Ah, essas, o vento soprou, assobiou
Roncou e de tanto roçar as desgastou
Rasgou-as, esfarrapou-as, esvaneceram
E tudo o vento levou, partículas dispersas

Esse vento do destino traçado por outrem
Frio, sofredor, incansável, amargurado
Sussurando a tristeza dos acontecimentos
Nem meus doces cabelos acalenta

Quem não ancora as palavras da alma
Não tem alma, não tem nada
Tem vontade de iludir a ilusão
As boas intensões, amordaçar

Nem tu, nestes ventos de angústia
Vens dizer meu nome, cobrir-me de beijos
Ah, meu coração não vive dos vendavais
Nem repousa na tristeza alucinante que traças

A ansiedade enlouquece estes olhos de fogo
Eu recuso as palavras, deixo a chuva as lavar
Quero amar-te sim, mas tu hoje te recusas
Tu afinal queres, o que tu não queres

Temes, vergas-te, não tens coragem
Tu queres, estremeces e fraquejas
Faltam-te as garras do fogo da coragem
A saudade essa, comprimida e reprimida

Na bruma da noite navego incessante
Percorro caminhos e em vão te procuro
Noite dentro, na tela da virtualidade
Há uma luz que brilha e logo se esvanece

E tu distante, onde estás meu amor
Que não vens afagar meus cabelos
Mas que amor é esse que não queima
É um querer sem nunca querer

O tempo é inimigo do amor, arrefece-o
A distância ofusca, é cega e nada deixa ver
Eu quero amar-te, mas tu não te resolves
Tu não virás nunca, falta-te esse fogo estonteante que queima...

Autora: Cândida Soares

3 comentários:

Anónimo disse...

Olá António,como sempre a surpreender
só que desta vez não é o António o autor.Se me permite. A autora do poema está de parabéns está de facto muito bem escrito.Mais uma vez Parabéns.Beijo
Maria

Cleiber disse...

A distancia para quem ama, realmente deixa o coração torturado. por isso que devemos procurar um amor mais próximo, assim temos a oportunidade de sentir o contato e pele, de carinho, e principalmente da pessoa amada.
Beijos carinhosos

Dida disse...

Dificil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama.
Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer.

Bob Marley